Whale’s Belly, Bangkok- Jantar na barriga duma baleia, num dos melhores restaurantes da Tailândia

 

 

Este ano festejámos a noite de ano novo, com um dia de antecedência, ao surgir a oportunidade de ir jantar a um dos melhores restaurantes da Tailândia, o Whale’s Belly. Apesar de ter um nome de Pub Inglês à beira mar, este restaurante é certamente dos restaurantes mais sofisticados onde estive, com uma decoração em tons de azul, que mistura o moderno e o clássico, com um chic de bom gosto. O elemento mais peculiar, é mesmo o tecto, num ondulado branco, que faz mesmo pensar na barriga duma baleia.

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Antes de vos descrever o jantar, tenho que admitir que sou uma pessoa muito pouco sofisticado a nível culinário (bom, a outros níveis também, mas isso agora não interessa!) Lembro-me um episódio em que descrevia um almoçarada em Portugal ao meu antigo chefe francês (ele sim, uma pessoa sofistificada), em que gabava uma costoleta de novilho de 800 g, ao que ele afirmou/perguntou, a brincar, “Porque para ser bom, tem de ser muito!”…ao qual eu respondi…claro! O conceito de uma boa refeição em Portugal, com pequenas doses, ali na fronteira entre ter fome e estar satisfeito é ainda desconhecido. (e que para muitos é considerado como uma ofensa à boa hospitalidade lusitana!).

O Whale’s Belly  é daquele tipo de restaurantes, que quando nos sentamos e olhamos para os talheres nos sentimos como a Julia Roberts no Pretty Woman, sem saber qual utilizar. Seguindo o conselho de etiqueta, é começar de fora para dentro! O nosso jantar ia ser um menu de degustação de nove (nove!!) pratos, preparados pelo Chef Mai, uma espécie de celebridade no meio culinário tailandês, por ter ganho o concurso televisivo do Iron Chef 2014, em que chefes profissionais dos melhores restaurantes vão competir com o chefe superstar, residente do programa.

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Bom, no Whale’s Belly, podemos dizer que a experiência culinária de certa maneira é a oposta à Portuguesa (ps: a cozinha portuguesa continua a ser a melhor do mundo!) , porque tudo é preparado com imensa delicadeza e precisão, em doses de tamanho moderado, para poder apreciar cada garfada com o máximo prazer. Cada ingrediente é cuidadosamente pensado para poder ter o efeito desejado final, juntamente com todos os outros. O contraste de sabores, entre o doce e o salgado, o ácido e suave, assim como o contraste de texturas está presente em todos os pratos, e faz parte do prazer da refeição analisar com atenção estes sabores, muitos deles até então desconhecidos!

O jantar de degustação começa com uma Welcome drink, à base de flor de rosette, com sabor misto entre o doce e o ácido

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Seguiu-se uma espécie dum mini spring roll, fresco, com o  interior à base de marisco, rodeado por uma folha de consistência gelatinosa, numa sopa de tomate ácida, mas picante que cortou a acidez natural do tomate!

IMG_7031Após esta primeira entrada trouxeram  uma mini posta de arenque fumado, como um sushi mas sobre um puré delicioso. Ao lado havia uma pequena dose de geleia de maçã, doce, para misturar sabores.

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Depois veio talvez o meu prato favorito da noite: caviar, pedacinhos de atum cru, sobre um rolo de capellini (massa muito fina), numa cama de carangueja, regado com vinagrete yuzu (japonês). Super picante, super bom!

 

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Estes dois pratos foram acompanhados por um vinho branco, fresco, chileno, o Villarrica.

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Após estas primeiras entradas, o festim continuou com um ravioli com recheio de caracóis (ou escargot, que soa melhor), coberto com uma espuma com sabor a parmesão! Foi a primeira vez que comi uma espuma num prato, ainda para mais com um sabor a queijo, sendo super leve e ao mesmo tempo cheio de sabor. A acompanhar havia um créme de várias ervas, entre as quais salsa.

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 O prato que se seguiu foi nem mais nem menos que um ovo cozido, reinventado fação haute cuisine. Cozido a exactamente 62 graus, este ovo cozido veio acompanhado com um creme de natas, cebolinha, cogumelos shiitake, (as coisas que descobrimos!) e beurre blanc (vulgo manteiga!). E folhas de fazer shushi! (original no mínimo)! O sabor inicial é óptimo, com diferentes misturas de sabores, se bem que seja um bocado enjoativo para terminar (especialmente se terminar-mos o da pessoa em frente! :) )IMG_7113

 

Era altura duma pausa, depois de tanta variedade. As doses tinham sido sempre não pequenas, mas moderadas, mas nessa altura já não tínhamos fome (especialmente eu que tinha acabado os dois últimos pratos da Hélène!ehehe). Para ajudar o estômago a recuperar trouxeram-nos uma espécie de um refresco, sob a forma de granita (uma sobremesa semi gelada, italiana, vulgo gelado de morango), com bocadinhos de gelatina e espuma.

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Só então o chefe trouxe a artilharia pesada: bochechas de boi, ou em francês joue de boeuf (muda tudo eu sei), que sinceramente foi das carnes mais suculentas que já comi. Muito parecidas as que a avó da Hélène faz (o que é um elogio ao chefe!). Pormenor: o acompanhante foram ervilhas, plantadas no jardim real! (presumo que deve ser sinónimo de boa qualidade e preço elevado!)

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Entretanto os senhores do restaurante já se tinham apercebido que a Hélène não estava  a dar conta do recado, pelo que foram simpáticos e trouxeram-lhe algo mais ligeiro, um posta de peixinho do mar do norte, coberto com um molho de cogumelos. (ou algo bom, por essa altura já tinha perdido conta aos diferentes sabores! Apanhei uma abada do chefe!)

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Os últimos pratos foram acompanhados por dois vinhos tintos, um deles Italiano o outro um francês, Côte du Rhone. Ambos bastante suave mas encorpados!

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Como sobremesa, tivémos à escolha entre um panacota de framboesa com gelado de morango (super bom!) e um tiramisu, que apesar de bom, era um pouco pesadote, especialmente depois de todo o banquete! Para terminar foi servido um café Mocha com Marsh Mallows.

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No final da refeição estávamos….bem! Uma visita a um restaurante destes não é uma refeição. É uma experiência em si, desde o ambiente agradável do restaurante, a todo o staff que está lá não para trazer a comida mas para te fazer sentir bem e confortável à comida, que bom não é comida. É quase uma obra de arte, porque cada prato, cada ingrediente é cuidadosamente pensado e escolhido entre os melhores para um resultado final que é um produção elaborada.

Não posso dizer que esta refeição foi a melhor que já comi, porque bom, não se podem comparar alhos com bogalhos. Posso dizer que foi sem dúvida a refeição mais elaborada que já tive, onde comi super bem, adorei todos os pratos, e, importante para um português, não passei fome e no fim, estava bem, sem ter quase mal disposto de tanto comer (cozido à portuguesa, feijoada, anyone?)

A parte dura duma refeição destas? O preço. A parte boa? É que em Bangkok podemos nos permitir uma refeição gastronómica destas por um preço muito mais razoável que na Europa, custando à volta de 2000 Bahts por pessoa (50 euros), enquanto algo assim na Europa, por um chefe reputado, custa à volta de 200, 300 euros! (sim, é verdade!). 50 euros por uma refeição?! Exorbitante! Sim, mas isto não é uma refeição. Não é comida. Comer no Whale’s Belly é uma espectáculo, a comida uma obra de arte. No seu conjunto, é uma experiencia gastronómica que dura à volta de 3 horas e vale muito a pena, tal como um concerto dos U2 ou dos Coldplay. Agora, não é para todos os dias, mas para uma ocasião especial. Se estiverem por Bangkok,numa dessas ocasiões experimentem, vale a pena!

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Declaração de interesses: jantámos no Whale’s Belly a convite da gerência. Como sempre as opiniões descritas aqui são de nossa inteira responsabilidade. (ou sejam, esta refeição estava mesmo deliciosa!)

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