Lago Titicaca- Onde nasceu o Mundo Inca- Foto Reportagem

 

Falemos em Peru e dois nomes exóticos nos vêm à cabeça. O primeiro, não preciso de dizer. O segundo é o Lago Titicaca.

Conhecido por alguns como o lago a maior altitude do mundo, a 3812 metros, na verdade este é o lago ” navegável a maior altitude”. Um pequeno detalhe. Na verdade não se pode dizer que realmente se note que estamos a tal altitude, já que a paisagem não é propriamente inóspita ou rodeade de grandes picos. Porém, para quem tenha vindo directo de Lima, os efeitos da altitude podem-se fazer sentir (fadiga, dores de cabeças, intestinos desregulados…) Nada que um bom chazinho de folhos de coca não resolva!

Porque vir aqui? Boa pergunta, já que fica no extremo sul do Peru, a 8 horas de Cusco e a 6 horas de Arequipa!Um bom esticão!

Bom, a primeira razão, e como boa introdução antes de se ir a Machu Picchu, o Lago Ticaca era considerado pelos Incas como a origem e o centro do cosmos. Viracocha, o deus creador, tinha populado em primeiro o mundo com uma raça de gigantes de pedra. Mas como estes não podiam ser controlados, criou os humanos. Desiludido com a cobiça e pretensiosismo destes, Viracocha enviou um grande dilúvio ao qual sobreviveram apenas 3 humanos, que repopularam o planeta! E como o mundo ainda estava mergulhado na escuridão, criou ainda o Sol, a Lua e estrelas a partir das ilhas do Lago Titicaca. (e num pequeno aparte, o Sol ficou invejoso da Lua e atirou-lhe cinzas para diminuir o seu brilho! ). Mais importante ainda, o Lago Titicaca é conhecido como sendo o local de nascimento de Manco Capac, o lendário fundador da Dinastia Inca, descendente directo do Sol.  (na Isla del Sol, no lado boliviano).

Acima de tudo o Lago Titicaca é um óptimo lugar para ver a cultura indígena peruana, em duas das suas ilhas, Urus e Taquille.

 

Urus

 

Urus são as famosas ilhas artificiais, feitas pela tribo dos Urus,  à base de blocos enormes de juncos flutuantes. Hoje em dia são altamente turísticas e a maior parte da população vive mesmo em Puno, a grande cidade à beira do lago, e vêm às ilhas todos os dias para trabalhar com os turistas (não os podemos realmente criticar, vendo as condições precárias que existem nestas ilhotas flutuantes). Ou seja, tal como as ilhas, a experiência em si é um bocado artificial, se bem que altamente fotogénica! Há que ver estas ilhas mais como um museu a céu aberto, onde os indígenas tentam manter e mostrar aos turistas a maneira antiga de viver, os seus costumes e trajes tradicionais, como forma de subsistência.

 

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Taquille

 

Taquille foi o nosso sítio preferido no Lago Titicaca. A umas chatas 4 horas de barco de Puno, esta ilha não tem nada a ver com as Urus. É um sítio “autêntico”, onde moram cerca de 4000 pessoas, em casas de pedra e tijolo muito correctas. Toda a comunidade está muito bem organizada e está tudo arranjadinho. Muito conhecida pelos seus têxteis, a ilha de Taquille tem tem uma organização social única no mundo que vale a pena conhecer. Aqui, qualquer homem que se queira casar tem de ser, antes de mais, um bom tecelão! Todas as raparigas antes de se casarem trazem uma manta negra e os rapazes, uma boina branca. Ao casarem-se passam a usar uma boina vermelha, e uma cinta, bordada pela mulher, com vários símbolos das coisas a ter na vida (uma casa, crianças, animais, etc…).

Infelizmente só passámos algumas horas nesta ilha, o que foi pena. O nosso conselho é ficarem pelo menos uma ou duas noites, para poderem aproveitar ao máximo esta cultura tão diferente e única e conhecer um pouco mais da ilha, fora do circuito turístico. ( e compensar  a viagem de quatro horas de barco!)

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Onde ficámos

A base para explorar o Lago Titicaca é Puno, onde se pode facilmente chegar de autocarro de Arequipa ou de Cusco. A cidade em si é bastente feiinha, se bem que tenha uma praça central bastante agradável, com uma catedral do tempo espanhol bonita. Um bom sítio para ir tomar café é o La casa del Corregidor.

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Em Puno ficámos no Hotel Cordélius, um pequeno hotel simpático. Se bem que não estivésse propriamente no centro, estava a 10 minutos de caminhada fácil. O que é que vale a pena neste hotel? Sobretudo a simpatia da proprietária, a Dona Delia. Não hesitem em pedir-lhe informações acerca dos passeios, já que pode arranjar excursões às ilhas a preços muito bons! Acerca dos quartos, nada a dizer: limpos, confortáveis com internet rápida. O ideal depois de uma longa viagem de autocarro para chegar a Puno ou depois de um dia passado nas ilhas!

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Declaração de interesses: Ficámos no Hotel Cornelius a convite da gerência. Como sempre as opiniões aqui descritas são as nossas.

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