Eu, o Rugby e a África do Sul

 

Para os que não me conhecem pessoalmente, em tempos fui jogador de Rugby. Posso afirmar que nunca fui muito talentoso mas consegui chegar a um nível aceitável devido a muito trabalho e dedicação, enquanto houve motivação e força de vontade. Comecei aos 13 anos no meu clube de sempre, a Associação Académica de Coimbra, e durante 10 anos vesti aquela camisola preta, cheio de orgulho, tendo ganho campeonatos, taças e acima de tudo, amigos para a vida. Tive a honra de fazer parte daquele grupo de boa gente, apelidada misticamente “A malta” (O que é a malta? Esta é uma das perguntas filosóficas que se discute no bar do rugby clube frequentemente, já depois de bem bebidos e comidos, por entre histórias e episódios másculos, de dentro e fora de campo!) Apesar de já não jogar, farei sempre parta da Malta do Rugby da Académica. Porque a malta é uma amálgama de gente que joga, jogou e, com algumas excepções, mesmo quem nunca vestiu a camisola preta, mas que sempre esteve no círculo de amigos da secção de rugby. A malta é para a vida.

Infelizmente, depois de ter terminado a universidade a vida levou-me para fora de Coimbra, e jogar rugby, longe da malta, nunca mais foi a mesma coisa, e aos poucos, após alguns jogos na Polónia e em França noutras equipas (de boa gente também, porque o rugby tem esta capacidade de atrair este tipo de indivíduos) , fui pendurando oficialmente as botas. Hoje em dia, quando olho para trás, com recordações dos meus anos na Académica e no rugby, posso dizer que são as melhores recordações da minha juventude: os treinos ao fim do dia no Estádio Universitário, fizesse chuva ou sol, os jogos aos fins de semana, as viagens de autocarro por esse país fora, as amizades, a camaradagem, tudo numa altura de transição entre criança, adolescente e homem.

A única outra camisola que vesti durante esses anos de rugby foi a da Seleção Nacional, o que foi tambem um motivo de grande orgulho. Durante 6 anos, nas camadas jovens, desde os sub13 aos sub20, tive a oportunidade jogar contra várias equipas, de todo o tipo, desde Inglaterra e Gales até Marrocos e Ucrânia.  Guardo excelentes recordações dos estágios que fazíamos no Jamor, a competição para ficar na equipa e a convivência lado a lado com jogadores que tínhamos o hábito de defrontar nos clubes!

Posso afirmar com toda a certeza, de todas as decisões que fui tomando ao longo da vida, a de jogar rugby foi certamente aquela que mais influenciou quem sou hoje, que mais me formou como homem, que moldou os meus valores e personalidade, que me deu uma educação para a vida  e que me deu mais amigos e orgulho de pertencer a um grupo de gente. Mais: posso imaginar a minha vida a ter estudado um curso diferente, a viver em países diferentes, trabalhos diferentes. Não me consigo imaginar hoje sem ter jogado rugby .

Depois desta introdução que explica a importância do rugby na minha vida, talvez não tenha sida ao acaso que o trajecto da nossa volta ao mundo passe por 3 das maiores potências mundiais de rugby: África do Sul, Austrália e Nova Zelândia! (talvez ainda Argentina). Assim sendo, na África do Sul foi paragem obrigatória em CapeTown o Museu do Springbok Experience, onde os adeptos de rugby podem ter o prazer de admirar relíquias como a camisola que o François Pienaar utilizou na final do Campeonato do Mundo de Rugby de 1995 (conhecido para o grande público através do filme Invictus, com o Matt Damon a fazer o papel do capitão da equipa Sul Africana)  ou as botas com que Joel Stransky, o abertura Sul Africano marcou o pontapé de drop da vitória

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O Springbok Experiece Museum é verdadeiramente a atração criada pela Federação Sul Africana de Rugby para os turistas que visitem o país, estando em CapeTown, já que é  a cidade que recebe mais visitas. Mas para quem procura a autêntica experiência de Ruby, carregado de significado histórico, é a Johanesburgo que tem de se ir para visitar o Ellis Park. Tal como no futebol há estádios míticos como Wembley, Maracanã ou San Siro (sem falar na catedral da Luz obviamente)), também os há no Rugby, como Twickenham em Londres, Eden Park na Nova Zelândia. Ellis Park, é também um deles e provavelmente o  mais mítico de todos,  onde se jogou a final do Campeonato do Mundo de Rugby de 19995, talvez uma das mais emotivas e carregadas de significado de sempre por ter sido a primeira grande competição da equipa Sul Africana depois do fim das sanções desportivas causadas pelo Apartheid,  e por a equipa da casa ter conseguido derrotadar uma das melhores equipas dos All Blacks de sempre,  de Jonah Lomu, Mehrtens, Fitzpatrick e tantas outras estrelas!

Hoje em dia Ellis Park, para além de receber alguns dos jogos da equipa Sul Africana é também a sede da equipa Gauteng Lions. Há um pequeno museu no estádio, cheio de camisolas e outras recordações de rugby um pouco de todo o mundo. Não tem nada a ver com o elaborado museu  de Capetown, mas é agradável para passar uma boa meia hora e acima de tudo para conversar com o senhor que toma conta do museu, o Sr. James Dalton. Sim, para os conhecedores de rugby, este senhor é pai do Springbok, James Dalton, o talonador careca que fez parte da equipa campeã Mundial de 1995!! Foi das minhas melhores experiências na África do Sul ter uma visita guiada pelo museu e pelo Estádio com este senhor, enquanto me contava histórias acerca do jogo, do rugby na África do Sul e do seu filho.

Próxima paragem: Austrália!

 

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Eu com o Sr. James Dalton, no sítio onde Joel Stransky marcou o pontapé de drop que ganhou o campeonato do Mundo há quase 20 anos!

 

 

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